Metrossexualismo

O metrossexualismo hoje é visto como um parente próximo do homossexualismo. E isto está errado. Tá certo que os que mais seguem esta tendência são os homossexuais. Mas também existem homens que gostam de se cuidar, de tratar de sua aparência (e não parecer um orangotango), de cozinhar, de ser fashion.


As mulheres não vivem de amores pelos gays porque eles se vestem bem e tem "n" qualidades?

Pois, aí está o híbrido: o metrossexual. Um homem bem resolvido com sua masculinidade e que sabe o que fazer para atrair a atenção.

Como saber se você ou é metrossexual ou falta pouquinho:

1) Seu banho demora mais de 30 minutos.
2) Você arruma o cabelo para o deixar impecável.
3) Fica um bom tempo escolhendo uma roupa para vestir.
4) Sempre procura fazer algo novo, seja no penteado ou mesmo no vestuário.
5) Adora perfumes.
6) Tem um guarda-roupa vasto.
7) Faz cortes diferentes de barba.
8) Passa base nas unhas.
9) Tira a cutícula.
10) Usa fixador no cabelo.

Estes são alguns pontos. Existem muito mais. Agora me digam: há algum problema em um homem ser assim?

Se as mulheres reclamarem, merecem ainda os trogloditas da pré-história. Se queixam de que o homem não se arruma, é estúpido e tudo mais. E quando se tem uma evolução no quadro masculino, simplesmente taxam de maricas.

Eu apóio a causa dos metrossexuais. Por que se sentir bem é fundamental.

Ego massageado

O céu abriu, a chuva passou. Tempo de ressequidão em meu quintal. O motivo é simples: tive o ego massageado. Fui posto em um pedestal e idolatrado.


A sensação é maravilhosa, mas perigosa se tu for exposto por muito tempo. Estou inebriado ainda pelo poder dessa massagem. Ela nos deixa confiantes, prontos para o próximo passo e olhando com desdém da última pequena depressão.

As vibrações que nos envolvem são algo fascinante. É difícil entendê-las. É difícil superá-las. Por isso que quanto pior estivermos, mais difícil será o caminho para sairmos disso. E por isso que quanto melhor estivermos mais facilmente as coisas irão se ajustando.

Fique bem, sempre! O otimismo dá poder e traz o vigor para encarar o pessimismo. Olhe para as coisas tristes e procure nelas o lado alegre. É assim que tu conseguirás enxergar aquela luz, logo ali, debaixo dos teus olhos, porém, antes, fraca demais para a tua cegueira encontrá-la.

Os dias de chuva

As gotas de chuva caem e minhas lágrimas as acompanham. Chora o céu e eu chovo por dentro. Há sensação pior que a de estar carente, precisando de um carinho?


Fico pensando no Karma. Talvez este seja o grande vilão e compositor da meia cancha de nossas vidas. Por exemplo: quando o Karma ataca e chega ao ataque, deixa vulnerável o meio-campo, possibilitando um contra-ataque - que sempre existe por sinal.

Quer dizer que, quando faço uma coisa boa, uma outra coisa de mesma proporção voltará para mim. E assim também acontece quando se faz besteiras e coisas ruins.

Assim tem sido por toda a eternidade de minha vida. A minha benevolência de antes voltou em pequenas formas. Já o que fiz de ruim voltou em dobro e sempre causou mais danos a mim.

O Karma não passa de um príncipe. O mesmo que Maquiavel descreveu. Ele faz o bem aos poucos e o mal de uma vez só. Mas o problema é que isso é bom só para o príncipe que continua com seus poderes e brinca com seu povo.

Não idolatro mais o príncipe Karma. Tomo a coragem (coragem?) de fazer e sofrer as conseqüências depois. 

E insisto em dizer que a coragem não existe. No lugar dela, existe a impulsão. E é essa mesma que me leva ao encontro do que quero.

É a impulsão que fez eu dar um basta na espera.

Indiretamente direto

Tu já desejou algo ou alguém, mas estudou o campo primeiro? Só pra ver se jogam o mesmo jogo que tu?

O dia-a-dia é assim. A atualidade se resume num grande Orkut. Tudo não passa de contatos.
Por isso me arrisco a dizer que não é o Orkut que está se transformando na nossa própria vida e sim o contrário.

Antes nós conhecíamos pessoalmente alguém e aí então adicionávamos essa mesma como amiga virtual. Mas agora inverteu-se isso. Primeiro amizade virtual, depois a real.

Antes ligávamos pra saber se amigos estavam bem e depois mandávamos um scrapp. Agora, mandamos um scrapp dizendo que qualquer dia iremos ligar para saber como vão as coisas.

Antes, tirávamos fotos espontaneamente e, se ficassem legais, colocávamos no álbum virtual do Orkut. Hoje, o que pauta a nossa saída é justamente novas fotos para o tal álbum.

Este foi um desabafo virtual. Confesso que estou viciado.

Voltando à prerrogativa. Como as pessoas reagem ao te conhecer? Certamente, elas fazem uma análise errônea da tua pessoa. Agora, o desejo. Moça, tenho algo a te dizer, mas fazê-lo-ei por entrelinhas. Não me deixarei tomar por um acesso de não-pensar e não me sucumbirei à loucura da provocação.

Quando penso, os olhos orbitam por entre os mares negros da minha mente. Lá, eles pegam um barquinho e vão até o meio do oceano junk que é esta cabeça. Ficam pescando. Os olhos, pescam um, dois, três, pensamentos. Trazem eles os pensamentos de volta à orbita ocular e assim eu vagueio numa desilusão desmanchada de semi-realidade.

Mas se os fecho novamente, acabo por mastigar esses pensamentos. Degusto cada momento deles. Garfo e faca, e pratos sujos no Neurônio's restaurante. De supetão sou expulso da fantasia e volto ao manjar dos semi-deuses.

Penso no teu corpo, junto ao meu, e os dois freneticamente alucinados pela explosão de adrenalina que pulsa em nossa mente. Eu estou ali, de corpo, alma, pensamento. Já tu, te desfiguras a cada balanço do tal barco, no meu junk ocean. 

A cada piscar sinto que tudo não passa de um vagalhão forte de pensamentos.

Alguém me diz: "Queria ser uma mosquinha". Paro tudo. Entro em transe. A cena reflete no espelho das minhas pupilas. Vejo claramente eu em uma sala mal iluminada. O som da máquina de escrever. O cenário é um escritório dos anos 40. Estou a escrever o romance de minha vida.

O suor me escorre pelas têmporas. Passo as costas da mão direita sobre elas e me refresco indiretamente. Eis que me surge um vulto à pouca luz que me dá a força de escrever. É apenas uma mosquinha. E ela vem ziguezagueando, pra lá e pra cá. Seu som retumbante em meus ouvidos: bzzzzz. Perco a concentração e teclo algo notoriamente errado em meu curso. Retiro a folha da máquina e afasto a mosca com a mão esquerda.

Levanto da cadeira e vou até a janela. A noite está refrescante, não faz frio, muito menos calor. Me debruço sobre o alpendre e ali de cima observa a calmaria da noite.

Eis que me pousa a mosca em meu braco direito. Ali ela caminha devagar, tateando. Sinto um leve arrepio que me sobe a espinha. Uma gota de suor frio desce pelo nariz e cai na palma da mão direita. Ao fazer uma tentativa para secar a tal gota, observo atentamente a movimentação da mosquinha.

Ela, até então me dando prazer bizarro, caminha até meu suor. Ela pára, passa as patas pelo molhado e se molha. As moscas também sentem arrepios. Ali, sob a luz da lua, fomos cúmplices de uma irreverência, de um deleite para ambos.

Só que a lei da selva é rígida e, no instinto do gozo, acabo esmagando a mosquinha com minha mão suada de prazer.

Já tive mulheres...

...de todas as cores, de todas idades, de todos gostos, de todos trejeitos, de todas as formas.
Amo a exuberância da mulher brasileira. Amo, ainda mais, o jeitinho que só a brasileira tem. Sou um eterno apaixonado. Alguns (algumas) não irão compreender-me.

As mulheres devem ser amadas como o calendário ama os dias. E as folhas deste calendário passam e dão lugar a outro número. Assim, o tempo passa. As mulheres são dignas de um amor tal qual as ondas para o mar: as ondas massageando suas costas.

As mulheres são casadas com sua própria beleza. São adornadas de mistérios, que um dia hei de conhecer.

A verdade é que não gostaria de tal feito, pois acabaria o meu encanto. Acabaria a paixão que sinto por cada uma, como se fossem dias no meu calendário.

As mulheres nos amam, sim. Mas amam do jeito delas, o que é bem diferente da maioria dos homens. Mulher é sinônimo de orgulho, é uma gota d'água que, frente à seca escaldante do deserto do nordeste, nunca seca - apenas para manter a pose esbelta e firme.

As mulheres representam cada gota do meu oceano.

Cada passada do ponteiro do relógio me dói o âmago. Sinto que perco, a cada segundo, uma mulher em minha vida.

Mas olho o calendário, e sei que elas estão ali, nas folhas atrás. Retrocedo. Passo o dedo pelas folhas amareladas pelo tempo, e vejo as fotos do catálogo: Ah, que tempo bom!

A primavera está por chegar.

Memórias póstumas

Não, não morri ainda. Ainda tenho uns 70 anos pela frente. Apenas estou escrevendo para me lembrar lá na frente, antes que desintegre mais a minha já tão afetada memória. Sofro de alguma síndrome que me faz esquecer das coisas, datas, pessoas, ações, momentos, tudo. As pessoas pensam que sou apenas um idiota, abandonando-as de um jeito que as torne órfãs de minha presença.


Não sou idiota. E se um dia falei contigo, pode ter a enorme certeza que está guardado(a) nessa salinha da minha memória, a qual não encontrei a chave (muito menos o caminho). Às vezes topo com a chave no corredor da minha paciência, mas não encontro a localização. Às vezes esbarro na porta desta sala, nas infinitudes de minhas memórias, e acabo lembrando que deixei a chave nalgum outro lugar dos meus neurônios.

Raras vezes, tenho a feliz coincidência de levar a chave comigo. Esbarro na porta e abro-a. Lá dentro, todas as pessoas, coisas, datas, ações e momentos seguem em fila para a sala de armazenamento.

Algumas se perdem no caminho, mas muitas salvam-se. É assim que entro em conflito comigo mesmo - e tem sido assim todos os dias de minha existência.

Labirintos são a minha constituição. Portanto, facilmente me perco nas entranhas do meu pensar.

Reforço mais uma vez o pedido desta humilde pessoa: se tu te lembras de mim, eu lembrarei de ti.

Mesmo que esteja lá na maldita salinha perdida da minha memória. Não te abandonei, não te esqueci.

Saiba que me esforço tanto para encontrar-te durante todas as horas do meu dia. Se não encontro, amanhã esqueço o que estava fazendo e a procura começa do zero.

Saiba que, um dia, decorarei o caminho.

Mortes banais

O ser humano não evolui mais. Digo isso, pois constato que a vida chegou ao ápice da parábola. Sim, aquela mesma parábola matemática que estudamos no segundo grau. Aquela em que depois do ponto culminante vem a queda. A banalidade das motivações para as mortes que ocorrem hoje em dia mostram isso. Fui acometido a um episódio que me deixou boquiaberto com a incapacidade de diálogo da raça humana. Aí está a evidência de que estamos nos aproximando dos urros guturais das cavernas para nos comunicarmos.

Foi o seguinte: estava eu em um aniversário. Ao final, estávamos eu e mais dois amigos na porta de entrada do salão de festas, esperando a carona para ir embora. Passou uma garota por nós e meu amigo tocou-a no braço. Até aí tudo bem, não fosse um cara mal encarado chegar e peitar meu amigo. Ele dizia que ia "dar tiro", que ia "furar ele de bala". Fiquei um tanto apavorado com a falta de diálogo.

Custava muito o cara ter dito: "olha, cara, ela tem namorado. E este sou eu". Pronto, acabaria ali. Mas não. Foi uma queda de braço para ver o mais machão. Confesso que aprendi ontem a ter vergonha de ser um humano. Tive vergonha dos modos como nos tratamos. Tive vergonha da banalidade que nossas vidas estão se tornando a cada dia.

A questão é: não podemos retroagir. Não deixemos que nossa vida se torne uma parábola e sim uma constante evolução. Desse jeito nós mesmos destruiremos o que nós fizemos, pra depois criar o que destruimos. Não tem lógica. A lógica foi morta pelos nossos antepassados, trancafiada a sete chaves em algum navio fantasma que se perdeu no fundo de um oceano inexistente.